Por décadas, os orelhões fizeram parte da rotina de quem precisava se comunicar fora de casa. Ficha, cartão telefônico, ligação a cobrar e o tempo contado marcaram uma geração. Agora, esses equipamentos caminham oficialmente para o fim.
De acordo com a Agência Brasil, os telefones públicos, conhecidos popularmente como orelhões, serão extintos em todo o país até o final de 2028. A medida ocorre após o encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa, que deixaram as operadoras sem a obrigação de manter esse serviço, diante do avanço dos celulares e da internet .
Atualmente, restam cerca de 30 mil orelhões em funcionamento no Brasil, número muito distante do auge do serviço, que chegou a ultrapassar 1,5 milhão de aparelhos espalhados pelas cidades brasileiras .
Realidade local
Em União, o processo de desaparecimento dos orelhões já é visível. A equipe do Clique União percorreu diferentes pontos da cidade e identificou poucos aparelhos ainda instalados, muitos deles sem funcionamento, tanto na zona urbana quanto na zona rural.
Mesmo inativos, esses equipamentos permanecem como marcas físicas de um tempo em que a comunicação exigia espera, paciência e, muitas vezes, improviso. Em algumas comunidades rurais, moradores ainda relatam lembranças afetivas ligadas aos orelhões, que durante anos foram o principal meio de contato com familiares e serviços essenciais.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), apenas aparelhos localizados em áreas sem cobertura de telefonia móvel poderão permanecer temporariamente, respeitando o prazo máximo estabelecido até 2028 .
Memória que permanece
Mais do que equipamentos, os orelhões fazem parte da memória coletiva. Eles ajudaram a contar histórias, aproximar pessoas e atravessar gerações. Em União, mesmo silenciosos, seguem de pé como símbolos de um passado recente que ajudou a construir a forma como nos comunicamos hoje.
🎥 Confira no vídeo: a matéria especial do Clique União mostra os últimos orelhões da cidade, relatos de moradores e imagens que resgatam a memória de um tempo que está se despedindo.
Repórter: Hemylle Campos
Produção: Sanny Rêgo
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