Sobre União-PI

O surgimento da cidade de União não foi planejado; o próprio tempo encarregou-se de construir o seu desenvolvimento, tanto econômico quanto populacional.

Desde o princípio, em 1813, quando já havia moradores fixos no local e ainda era uma fazenda de gado conhecida como Estanhado, fundada em princípios do século XIX, União teve fortes vínculos com as atividades agropecuárias. Durante cinquenta anos, iniciados a partir de seu surgimento, o Estanhado funcionou como Distrito de Campo Maior, provinda de um ambiente pastoril, conserva ainda hoje características ligadas ao trabalho do campo, em especial, a pecuária, principal exercício do vaqueiro e, sua figura sempre esteve ligada à construção da cidade porque tudo teve início com uma fazenda de gado. Estas características podem ser vistas atualmente segundo mostra o senso do ano de 2009 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de União, possui como principal fonte de renda a indústria e serviços, além da agricultura (arroz, milho e mandioca) e a pecuária (suínos, caprinos e bovinos).

O rio Parnaíba servia de apoio para ser o porto de embarque da antiga Vila de Campo Maior onde funcionava o transporte de mercadorias e produtos, sendo assim, na época, o único ponto de embarque e desembarque da região, já que não havia estradas que interligassem os centros comerciais.

Hoje, o Porto de União não exerce mais a função de rota comercial e transporte de mercadorias para as demais cidades. Sendo navegável apenas para travessia entre o Estado do Maranhão e Piauí.  Pelo rio, eram transportados produtos como azulejo, pia, linho, produção de açúcar, rapadura, folha de jaborandi, dentre outros. As coisas vinham de Campo Maior para serem conduzidos através do Porto.

 Como o trabalho de embarcação comercial na Vila era frequente e importante para a fluidez da economia na região, acabou atraindo pessoas que fincaram suas residências e suas atividades de sustento no local; o pequeno território agora abrigava um emaranhado de famílias. Assim ocorre o povoamento do lugarejo, que anos depois, deixaria de ser apenas um conglomerado de gente A nova terra era dominada por ricos fazendeiros que detinham o poder no lugar. Mais tarde, passaria a adquirir a denominação de povoado, mas continuava sob jurisdição de Campo Maior.

Muitas incertezas permeiam como se deu, de fato, este progresso, existindo, porém algumas hipóteses que especulam a forma como ocorreu o início de seu povoamento. A mais provável e aceita é a de que tudo aconteceu em torno da atual Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios. O primeiro sacerdote e vigário de União foi Padre Jeronimo José Ferreira, que chegou ao Estanhado em 1817.

 A povoação, depois daí, passaria a adquirir uma importância na luta de emancipação e independência do Brasil. Os moradores trabalhadores rurais da fazenda Estanhado utilizariam suas ferramentas de lida agropecuária como armas de guerra em 1823, na Batalha do Jenipapo.

Com espírito bravo para alcançar seus ideais, os vaqueiros dos primórdios do Estanhado, esqueceram-se que não bastava garra, era necessário também armas para vencer o inimigo na luta pela independência.

Em 1826o Presidente da Província propôs a criação de uma freguesia na povoação do Estanhado e sua elevação à categoria de Vila, não tendo sido aprovada, continuou o Povoado como Distrito de Campo Maior.

Após isso, no ano de 1853, alguns acontecimentos marcariam decisivamente o processo histórico ao qual se remetia União. A partir desse período, o Estanhado tomaria os rumos que definiriam seu presente. Em sua obra, Sousa (1997) cita que, no dia 2 de abril, o Bacharel Luiz Carlos de Paiva Teixeira, assume a presidência da Província do Piauí. Em 27 de agosto, é criada uma freguesia do Povoado por Domingos Fernandes, pela Resolução Provincial nº 348.

O aniversário da cidade ocorre no dia 17 de setembro por três fatores. Bastos (1994, p. 571) menciona em seu Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí que neste dia ocorreu a Emancipação política por decreto do Presidente em exercício Bacharel Luiz Carlos de Paiva Teixeira, sob a Resolução Provincial nº 362. Ainda, segundo ele, nesta data foi criado o Município ou Vila. Até 17 de setembro, a cidade era denominada Fazenda Estanhado, depois disso, o Povoado é elevado à categoria de Vila e recebe o nome de União.

Em 1853, segundo Bastos (1994, p.571), foi fundada a capela de Nossa Senhora dos Remédios.

 (…) teria sido fundada por Domingos Fernandes, genro de Manuel Carvalho de Almeida. Começou na fazenda Estanhado quando, em 25 ou 27-8-1853, pela Resolução provincial nº 348, foi criada uma freguesia no povoado. O futuro Barão de Gurguéia doou meia légua de terras para o patrimônio da vila, de frente marginando o rio Parnaíba, por uma légua de fundo na direção L, situada na data Suçuapara, onde se acha edificada a cidade.

    Em 17 de Setembro de 1853, a Vila recebe o título de cidade, mas sem nenhuma documentação oficial do Estado, o que viria a acontecer somente três décadas após.

 Implantada a república, Marechal Deodoro da Fonseca nomeia novos governadores das províncias. No Piauí, a função foi assumida pelo engenheiro militar e Bacharel em Direito Gregório Taumaturgo de Azevedo, que em 28 de dezembro de 1889, baixou o decreto Estadual nº 01, elevando União à categoria de Cidade. (SOUSA, 1997, p. 21).

 O desmembramento da Vila de Campo Maior deu-se em 23 de outubro de 1854; no mesmo dia, o município de União era instalado. Em torno da capela, a povoação ia crescendo. Em 1862, a construção da igreja era iniciada.

Com a implantação da República no Brasil, em 1889, Marechal Deodoro da Fonseca nomeia novos governadores das Províncias. Tendo como apoio as informações de Sousa (1997), no Piauí, a função foi assumida pelo Engenheiro Militar e Bacharel em Direito Gregório Taumaturgo de Azevedo. Em 28 de dezembro deste mesmo ano, o novo Governador da Província baixa o decreto Estadual nº 01, elevando à categoria de Cidade.

Trecho do Livro Um Herói Fantasiado, de autoria de Sanny Ravanne da Cunha Rêgo e Josiel Lima Nascimento