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Novembro Azul

Piauí deve registrar 1.110 casos de câncer de próstata em 2026, estima Inca

Doença é a mais incidente entre os homens no estado e pode não apresentar sintomas nas fases iniciais

Por Redação Clique União Publicado em

O Piauí deve registrar 1.110 novos casos de câncer de próstata em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença é o tipo de câncer mais incidente entre os homens no estado, considerando os tumores de pele não melanoma.

O número reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, especialmente durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde masculina. No Brasil, aproximadamente 18,5 mil homens morreram em 2025 em decorrência da doença, o equivalente a 50 mortes por dia, conforme dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Um dos principais desafios no combate ao câncer de próstata é que a doença geralmente não apresenta sintomas nas fases iniciais. Por isso, a avaliação médica é importante para identificar possíveis alterações antes que o tumor provoque manifestações mais graves.

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Em entrevista à TV Clube, o oncologista Fabiano Aguiar explicou que a idade para iniciar o acompanhamento depende das condições de saúde e dos fatores de risco de cada homem.

Quando procurar um médico?

De acordo com o especialista, homens sem fatores de risco devem procurar avaliação médica a partir dos 50 anos. Já aqueles com maior predisposição precisam iniciar o acompanhamento mais cedo.

Entre os principais fatores de risco estão:

Histórico familiar de câncer de próstata, especialmente em parentes diagnosticados antes dos 60 anos;

Homens negros;

Obesidade;

Mutações genéticas hereditárias.

Para homens negros, obesos ou com histórico familiar da doença, a recomendação apresentada pelo oncologista é iniciar a avaliação aos 45 anos. Nos casos de mutações genéticas hereditárias, o acompanhamento pode começar por volta dos 40 anos.

“Em termos gerais, hoje o paciente com 50 anos deve ir ao médico. Tudo é uma conduta em conjunto com o médico. Não é chegar todo mundo sair fazendo exame por conta própria”, explicou Fabiano Aguiar.

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento indiscriminado do câncer de próstata em todos os homens sem sintomas. A decisão sobre realizar os exames deve ser discutida individualmente entre médico e paciente, considerando os benefícios e possíveis riscos.

Quais exames ajudam a identificar a doença?

Os principais exames utilizados na avaliação da próstata são o PSA, realizado por meio de uma amostra de sangue, e o toque retal, que permite ao médico avaliar características da glândula.

O PSA mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata. Alterações nos resultados podem indicar a necessidade de uma investigação mais detalhada, mas não confirmam, isoladamente, a presença de câncer.

Segundo o oncologista, a consulta com um urologista é o primeiro passo para definir quais exames são necessários.

“O rastreamento deve sempre ser feito em conjunto com o médico. Então, a ida no urologista é mais importante do que só citar os exames, mas, em termos gerais, o PSA, o exame físico, que é o toque retal, e, a partir daí, o médico decidir se precisa de mais algum exame ou não”, afirmou.

Quando são identificadas alterações suspeitas, podem ser solicitados exames complementares e uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

Quais sintomas merecem atenção?

Nas fases iniciais, o câncer de próstata pode não apresentar sinais perceptíveis. Quando os sintomas aparecem, a doença pode estar em estágio mais avançado.

Entre os sinais que precisam de avaliação médica estão:

Dificuldade para urinar;

Jato urinário fraco;

Necessidade de urinar várias vezes, principalmente durante a noite;

Presença de sangue na urina ou no sêmen;

Disfunção erétil.

Durante a entrevista, Fabiano Aguiar também esclareceu que alterações no fluxo urinário nem sempre estão relacionadas ao câncer. O jato fraco, por exemplo, pode ser consequência da hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo aumento da próstata.

A HPB não é câncer, mas pode provocar sintomas urinários e exigir tratamento com medicamentos ou procedimentos cirúrgicos.

O médico também orientou que homens com dor durante a ejaculação ou disfunção erétil procurem um urologista para investigar as causas.

“Não necessariamente se refere a câncer esses sintomas, mas pode ser. Para o câncer de próstata causar esses sintomas que ele falou, já teria que estar com um quadro um pouco mais avançado”, explicou.

Novembro Azul reforça cuidados com a saúde masculina

Além do acompanhamento médico, hábitos saudáveis também contribuem para a saúde masculina. Entre as recomendações estão praticar atividades físicas regularmente, controlar o peso e evitar o tabagismo.

O oncologista destacou que muitos homens ainda resistem à realização de consultas de rotina e procuram atendimento apenas quando percebem algum problema.

Para Fabiano Aguiar, o Novembro Azul é uma oportunidade de ampliar o acesso à informação e incentivar os homens a cuidar da saúde antes do aparecimento de sintomas.

“Sem dúvida nenhuma, o homem é sempre mais reticente em ir ao médico de rotina, diferente das mulheres. Isso é um dado estatístico, inclusive. Então, é justamente para isso que serve o Novembro Azul, para esclarecer e fazer com que as pessoas busquem uma avaliação médica antes que surjam sintomas”, afirmou.

O especialista também lembrou que existem diferentes tipos de tumores de próstata, com níveis variados de agressividade. Por isso, a avaliação individualizada é fundamental para identificar a doença e definir a conduta adequada.

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