Os casos de violência contra crianças e adolescentes no Piauí cresceram 238% nos últimos dois anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2025, o estado registrou 3.112 notificações no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), contra 919 casos em 2023.
O levantamento, realizado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), foi divulgado com exclusividade pelo Portal O Dia e aponta um aumento significativo também em nível nacional. Entre 2020 e 2025, o Sinan contabilizou 685.629 notificações de violência envolvendo vítimas de 0 a 18 anos em todo o Brasil, representando um crescimento de 125% no período.
No Piauí, foram 10.165 registros de violência contra crianças e adolescentes entre 2020 e 2025. O ano de 2025 apresentou o maior número de notificações de toda a série analisada.
As meninas são as principais vítimas, com 6.739 casos registrados, quase o dobro das ocorrências envolvendo meninos, que somam 3.426 notificações.
Entre os tipos de violência, a violência sexual lidera os registros, correspondendo a 45,5% dos casos, seguida pela violência física, com 42,1%.
Em relação ao perfil das vítimas, 72,9% são pessoas pardas. Os demais registros envolvem vítimas brancas (8,7%), pretas (5,7%), amarelas (0,5%) e indígenas (0,3%). Em 11% das notificações, a informação sobre raça/cor não foi informada.
Para o psiquiatra e presidente da SPDM, Ronaldo Laranjeira, os números evidenciam a gravidade do problema e a necessidade de fortalecimento das políticas públicas.
“Estamos falando de consequências físicas, emocionais, sociais e educacionais que podem comprometer o desenvolvimento e aumentar vulnerabilidades futuras. Por isso, é fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça”, afirmou.
Já o conselheiro tutelar de Teresina, Edy Carvalho, avalia que o crescimento das notificações está relacionado tanto ao aumento dos casos quanto ao maior acesso da população aos serviços de proteção e à mudança na percepção sobre o papel do Conselho Tutelar.
Segundo ele, a população passou a compreender que o órgão atua na garantia dos direitos de crianças e adolescentes e no apoio às famílias, deixando de ser visto apenas como uma instituição voltada ao afastamento de crianças do convívio familiar.
Fonte: Portal O Dia, com dados do Ministério da Saúde (Sinan) e levantamento da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).







