Dengue: hidratação é fundamental para tratar a doença

Reportagem Clique União

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Você ou alguém próximo teve dengue recentemente? Nos últimos anos, a dengue tornou-se uma preocupação constante no Brasil. Com ciclos endêmicos e epidêmicos, a cada 4 ou 5 anos, a doença apresenta um aumento significativo no número de casos, bem como na gravidade das ocorrências, resultando em mais hospitalizações. Em 2020, foram registrados 1,4 milhão de casos. Em 2023 esse número subiu para 1,6 milhão, com 1,079 mortes; e em 2024, pode variar de 1,7 milhão a 5 milhões, de acordo com estimativas do Ministério da Saúde. As previsões foram feitas em parceria com o InfoDengue e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A importância da hidratação no tratamento da dengue

“A ingestão de água é importante porque a doença retira o líquido de dentro dos vasos sanguíneos, o que pode comprometer a circulação, podendo ocorrer o extravasamento de plasma,”, alerta o médico intensivista Danilo Klein, gerente médico da Baxter.

A quantidade de água para cada paciente pode variar conforme o peso, o recomendado para pacientes com casos leves que receberão hidratação oral é de 60 ml/kg/dia de líquidos por quilo, ou seja, uma pessoa com 50kg deve ingerir 3 litros totais de água por dia.

Soluções intravenosas de hidratação

Em casos de dengue grave um dos principais tratamentos são as soluções intravenosas de hidratação, como o soro hospitalar. Mas engana-se quem acha que o soro caseiro de uso oral, feito com água, açúcar e sal, pode substituí-lo e ser eficaz para a pronta recuperação do paciente nessa fase da doença.

“O soro hospitalar é um dos mais importantes medicamentos, ele não faz apenas a hidratação do paciente, como faz parte do tratamento do choque hipovolêmico, que ocorre quando se perde grande quantidade de líquidos e sangue. As soluções intravenosas implicam em melhores desfechos clínicos quando usadas de forma correta por profissionais habilitados”, alerta o médico.

Ainda segundo Danilo Klein, os sinais de alerta que indicam o agravamento da doença na qual o paciente deve procurar uma emergência mais próxima são: dor abdominal (dor na barriga) intensa e contínua, sangramentos, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), hipotensão postural e/ou lipotimia: letargia e/ou irritabilidade.

O que é a dengue?  

A dengue é uma doença viral causada pelo vírus (DENV) do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. Com quatro sorotipos diferentes – DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4 – a principal forma de transmissão é pela picada da fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti. Outras formas menos comuns de transmissão incluem transfusão de sangue e transmissão da gestante para o bebê. É importante ressaltar que não há transmissão por contato direto com pessoa doente.

A médica infectologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), Thallyta Antunes, ressalta a importância de estar atento aos sintomas da doença. Segundo ela, “ a dengue é uma doença infecciosa viral de início súbito, com febre alta associada à dor de cabeça, mal estar, mialgia, artralgia e dor retro-orbitária. A pessoa pode ter náusea, vômito e perda de apetite associado, bem como diarreia. Em 50% dos casos, aparece exantema (manchas avermelhadas) em face, tronco e membros com ou sem prurido durante a evolução da doença.”

E os sinais de alerta que indicam gravidade e requerem maior atenção incluem: sangramento espontâneo e de mucosa, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, pressão baixa, sonolência e comprometimento dos órgãos. É fundamental procurar atendimento médico ao apresentar qualquer um desses sintomas, para avaliação e orientações quanto ao repouso, hidratação, sinais de alarme e monitorização com exames laboratoriais.

O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais, como: a detecção da proteína NS1 da dengue, isolamento viral ou exame sorológico IgM.

Medidas de tratamento  

O tratamento da dengue é dependente, essencialmente, do estado clínico do paciente e da presença de sinais de gravidade. Os sintomas mais intensos da dengue, geralmente, não duraram mais do que sete dias. O tratamento principal consiste na hidratação, que pode ser realizada em domicílio e via oral para casos leves, ou intravenosa e sob regime de internação hospitalar para casos mais graves. Não existe um antiviral específico para tratar a doença, mas a hidratação costuma ser eficaz quando iniciada precocemente. Nas situações graves, as complicações incluem hemorragias, pressão baixa, acúmulo de líquido em cavidades do corpo (como no pulmão, abdômen e coração), choque e óbito.

É importante ressaltar que alguns remédios não devem ser tomados, por aumentarem o risco de sangramentos e hemorragias causados pela dengue. Dentre as medicações contraindicadas estão os anticoagulantes, tais como salicilatos (ácido acetilsalicílico, ácido salicílico, diflunisal, salicilato de sódio, metilsalicilato, entre outros), os anti-inflamatórios não esteroidais (indometacina, ibuprofeno, diclofenaco, piroxicam, naproxeno, sulfinpirazona, fenilbutazona, sulindac e diflunisal) e os anti-inflamatórios hormonais ou corticoesteroides (prednisona, prednisolona, dexametasona e hidrocortisona). Portanto, é fundamental que pessoas com suspeita de dengue evitem a automedicação e busquem orientação médica para o tratamento adequado da doença.

Combate ao mosquito transmissor da dengue 

Cuidados simples podem fazer toda a diferença para combater o Aedes aegypti e evitar sua picada, como: manter as garrafas vazias ou baldes virados para baixo; evitar o acúmulo de entulho e água parada no quintal ou nas ruas; cobrir caixas d’água, poços ou piscinas; bem como manter as calhas limpas. Além disso, é importante colocar terra ou areia nos pratos dos vasos de plantas, manter as latas de lixo tampadas e descartar corretamente cascas de coco, latas de refrigerantes, copos plásticos e embalagens.

Outras medidas incluem guardar pneus em locais cobertos; tampar ralos pouco usados e jogar água sanitária no cano duas vezes por semana; diminuir o número de bebedouros de animais e manter o aquário limpo e fechado. A instalação de telas de proteção nas janelas e mosquiteiros na cama também são medidas complementares e eficazes que auxiliam na prevenção da proliferação do mosquito transmissor da dengue.

 

Informações: Ebserh e Estado de Minas Saúde

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