Na última terça-feira (5), a Secretaria das Mulheres do Piauí (Sempi) realizou mais uma etapa do curso “Atendimento Humanizado de Segurança Pública com Olhar de Gênero”, voltado a profissionais das forças de segurança pública do estado. A formação, que aconteceu no município de União, é fruto da parceria entre a Sempi e a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI).
O curso tem como foco sensibilizar e capacitar agentes de segurança para um atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência, prevenindo a revitimização e contribuindo para a redução dos índices de feminicídio no Piauí. Durante as aulas, são apresentados protocolos de atuação tanto da área de segurança quanto psicossociais, para garantir que as vítimas recebam acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento adequado aos órgãos competentes.
“A proposta é qualificar o atendimento prestado às mulheres em situação de violência, assegurando que cada caso seja tratado com seriedade e eficiência”, explicou Jahyra Sousa, coordenadora da Rede de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência da Sempi.
Segundo a coronel Elizete Lima, superintendente de Cidadania e Defesa Social da SSP-PI, a capacitação já percorreu várias regiões do estado e busca consolidar uma política pública efetiva de segurança para as mulheres. “Nesta etapa, contamos com participantes de municípios como União, José de Freitas, Miguel Alves e Monte Alegre, incluindo a delegada de José de Freitas. Essa parceria fortalece o compromisso com a humanização no atendimento”, destacou.
Contexto local reforça importância da capacitação
Os dados divulgados recentemente pela Polícia Militar do 26º BPM, responsável pela segurança em União e Miguel Alves, mostram que a violência doméstica continua sendo a ocorrência mais registrada na região. Somente no mês de julho, foram 10 registros desse tipo de crime, um número que evidencia a necessidade urgente de qualificação e atenção especializada no atendimento às vítimas.
O portal Clique União acompanhou casos reais que ilustram essa realidade preocupante, como agressões físicas a mulheres em diferentes bairros e situações que envolveram a própria família. Em agosto, logo no início do mês, outro episódio de violência doméstica foi registrado, demonstrando que o desafio permanece constante.
Em julho, violência doméstica foi o crime mais registrado pela PM em União e Miguel Alves
Denunciar é fundamental para romper o ciclo
Especialistas alertam que os casos registrados representam apenas uma parte da realidade, já que muitas mulheres não denunciam por medo, dependência ou falta de informação. Por isso, a capacitação promovida pela Sempi e SSP é fundamental para preparar os profissionais que atendem essas vítimas, mas a participação da sociedade e o acesso aos canais de denúncia também são essenciais.
Para quem precisa, seguem os contatos disponíveis:
- Polícia Militar: 190
- Central de Atendimento à Mulher: 180
- Ouvidoria da Secretaria da Mulher (PI): (86) 9 9432-6900
- “Ei, mermã! Não se cale!” (emergencial PI): 0800-000-1673
Um ciclo que só se quebra com atenção e ação
Assim como o curso busca fortalecer a rede de proteção às mulheres, os dados e relatos locais comprovam que a violência de gênero é um problema enraizado e que demanda respostas articuladas e humanizadas.













