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Tony Trindade é inocentado da suspeita de atrapalhar investigação da “Operação Delivery”

A Justiça Federal decidiu por inocentar o jornalista e apresentador do programa Alerta Geral da TV Band Piauí, Tony Trindade, em acolhimento a conclusão da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O jornalista tinha sido preso durante a investigação que apura a origem de quase 400 mil reais, em espécie, encontrados em um carro da Prefeitura de União em maio de 2020, ainda durante a gestão do ex-prefeito Paulo Henrique (PSD).

A decisão ocorreu quase 1 ano após o profissional ter sido preso em agosto de 2020, durante a Operação denominada Acessso Negado, onde Tony foi acusado de obter informações privilegiadas e repassa-las a interessados, ao tempo em que as Polícias Civil e Federal investigavam desvios de recursos da educação no município de União-PI.

O advogado do jornalista, Lucas Villa, esclareceu o ocorrido e afirmou que Tony foi inocentado de qualquer acusação e foi retirado do processo.

“Depois da investigação, tanto a Polícia Federal, quando o Ministério Público Federal, chegaram à conclusão que não existia qualquer indício em torno do Tony, de que ele tivesse cometido qualquer tipo de delito. Por essa razão o Tony não foi indiciado pela polícia e nem denunciado pelo Ministério Público Federal. Tony foi excluído do processo e isentado de qualquer tipo de acusação, porque ficou demonstrado que não havia qualquer prova de cometimento de crime por parte dele”, disse Lucas Villa.

Na decisão, o juiz Leonardo Tavares Saraiva, da 1ª Vara Federal Criminal do SJPI, afirma que Tony Trindade era responsável pelo marketing político de gestores da prefeitura de União, e que teria recebido informações sobre a operação por trabalhar na imprensa e apenas se comprometeu a monitorar os fatos como jornalista.

O juiz relata que Tony Trindade agiu como jornalista e que não teve acesso a nenhuma informação confidencial da polícia.

“Não foi possível apontar com a certeza exigida pelo direito penal que Itamir José (Tony Trindade) acessou ou tentou ter acesso a informações de caráter sigiloso que pudesse comprometer a rigidez da investigação”,
diz trecho da decisão.

Tony Trindade, que permaneceu em silêncio durante todo o período de investigação diz que faz-se justiça, mas os estragos causados não são reversíveis. “Tenho 36 anos de profissão. Não sou a palmatória do mundo. Cometi erros e acertos nessa caminhada, mas jamais imaginei que tentariam me transformar num marginal. Sei que tenho inimigos silenciosos, poderosos, que não gostam de minha postura como jornalista, mas não quero acreditar que eles estejam por trás de toda essa trama sórdida. O que me resta agora é seguir em frente, de cabeça erguida, certo que sou cidadão e profissional, temente a Deus e que minha família e meus milhares de telespectadores, ouvintes e leitores poderão continuar confiando e acreditando em mim”, afirma Tony.

Operação Acesso Negado

A Operação Acesso Negado foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 18 de agosto de 2020 com objetivo de cumprir cinco mandados de busca e um mandado de prisão na cidade de Teresina, União e Monsenhor Gil. A operação tinha como alvo principal o jornalista Tony Trindade.

O mandado de prisão foi expedido para investigar suposto vazamento de informações privilegiadas, com objetivo de atrapalhar investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Delivery – que apura a origem de 370 mil reais, em espécie, encontrado em um carro da Prefeitura durante a madrugada.

Tony Trindade foi preso em sua residência em Teresina. Computadores e celulares pessoais do jornalista e familiares, foram levados para investigação policial no ato da sua prisão.

Três dias após a prisão, o juiz concedeu liberdade provisória ao jornalista, por “inexistir elementos que indicasse risco à ordem pública”.

Operação Delivery – Maio de 2020

Delegados da Polícia Federal e a Superitendência da Controladoria Geral da União no Piauí deram detalhes da investigação que prendeu, preventivamente, cincos pessoas suspeitas de envolvimento em compra de livros fraudulenta para o Município de União. A prisão preventiva, em regra, é usada durante as investigações quando  já se tem a certeza do crime, mas ainda buscam a autoria.

Segundo a Polícia Federal, o Secretário de Educação, Marcone Martins, é um dos presos na Operação. Além dele, o vereador Franklandy Medeiros (PSD) e mais três pessoas foram presas. A Polícia não divulgou nomes dos demais presos.

Em União foram presos o Secretário de Educação e mais dois funcionários da Prefeitura. O vereador estava em Teresina no momento da prisão e no Ceará foi presa uma empresária.

Colaboração – Josefa Geovana

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